Toda a minha vida eu quis ir para a faculdade e sempre fui tomando as minhas escolhas em função disso. Cheguei ao 10 º ano tive de escolher a área que queria não me podendo esquecer que tinha de escolher um curso que me permitisse seguir os estudos para o Ensino Superior.
Depois de muito pensar decidi optar por um curso profissional ao invés de ir pelo ensino regular e não me arrependo pois eu nunca fui de estudar muito, no sentido de me agarrar aos livros constantemente porque para mim o importante é aprender as coisas, vivendo-as, experimentando-as e eu sabia que se fosse para o ensino normal ia ter tudo teoria então escolhi um Curso Técnico de Comunicação/Marketing, Relações Públicas e Publicidade. No final gostei muito porque foi um curso muito abrangente no qual aprendi muita coisa sem ter de estudar afincadamente. A melhor parte foi que no programa deste curso permitia-me dar a matéria que eu iria precisar no exame nacional que me dava acesso à faculdade e assim foi. Consegui acabar o 12º com uma boa média (17 valores) o que me ajudou muito na entrada para o ensino superior.
No final do ano concorri a Desporto como é óbvio mas a minha entrada para a faculdade não foi fácil por diversas razões. No primeiro ano, um pouco por culpa minha, não me consegui dedicar como queria ao exame nacional porque o último ano do curso profissional foi muito atarefado entre estágio, Prova de Aptidão Profissional e exames o que me ocupava demasiado tempo. Consegui passar no exame mas com uma média muito baixa, logo nesse ano (2012) não consegui entrar na faculdade, o que me deixou muito triste. Não concorri a mais curso nenhum porque de facto não queria mais nenhum curso e muito menos outra faculdade que não a FADEUP. No ano que não consegui entrar fiz de tudo um pouco, mas principalmente me dediquei a estudar para o exame e enquanto isso fui tirar um pequeno curso de Francês e Alemão, além de estar ocupada isso permitiu-me aprender um pouco de outras línguas.
Chegou a altura de fazer os pré-requisitos para entrar em Desporto e depois de muita preparação, no dia anterior às provas eu tive jogo pela minha equipa e para meu azar fiz uma entorse muito grave no pé direito. Vi a minha vida completamente a andar para trás porque eu dependia daquilo para entrar na faculdade e só pensava que ia ficar mais um ano, entrei completamente em desespero. Mesmo com umas dores horríveis e com o pé ainda mais horrível, fui fazer as provas, liguei o pé, pus spray, fiz mil e uma coisas para que o pé não me doesse nos pré requisitos mas era inevitável. Felizmente a maioria tinha me corrido bem, eu so tinha ficado receosa pela prova de natação que me tinha corrido super mal, mas o importante era que já tinha feito as provas. Quanto chegou a altura de saírem os resultados eu chorei de alegria quando soube que apesar da lesão grave eu tinha conseguido. Mais um obstáculo ultrapassado para entrar na faculdade.
Até que chegou ao dia de fazer o exame nacional e mal eu sabia o que me esperava. Tinha estado 1 ano da minha vida a preparar-me para aquilo. Tudo se resumia às próximas duas horas e meia. Cheguei à escola e… Era greve. Dirigi-me ao pavilhão e um elemento do conselho executivo mandou os estudantes para casa pois não ia haver exame por causa da greve dos professores. Assim fizemos e foi-nos indicado para irmos fazer o exame 15 dias mais tarde.
Quando chegou o dia que efetivamente íamos fazer o exames fui ver os papéis onde estavam os nomes dos alunos distribuídos pelas salas. Ia ver qual era a minha sala e o que acontece? O meu nome não está em nenhuma das folhas. Dirigi-me ao conselho executivo para saber o motivo do meu nome não estar nas folhas para fazer exame e disseram-me que no dia da greve a minha sala tinha feito exame e que eu tinha faltado. Entrei em desespero porque não me queriam deixar fazer exame, nem na segunda fase pois por lei só poderia fazer exame na segunda fase quem tivesse ido à primeira. A minha mãe foi a escola, os outros alunos a fazer exame e eu no conselho executivo a ver como ia ser. Até que finalmente me deixaram fazer exame mas sem garantias de que o exame ia ser válido pois eu ia fazer exame mas ia ter de enviar uma carta ao Júri Nacional de Exames para que me validassem o exame para eu poder, pelo menos, ir à segunda fase. Fui então para a sala, ainda a chorar, com os nervos à flor da pele, tive meia hora para fazer um exame que numa situação normal teria duas horas e meias, fiz na mesma sem esperança nenhuma naquele exame.
Depois de mil e uma cartas e emails dirigidos a tudo o que era entidade que gere o ensino em Portugal, consegui que me validassem o exame. Agora só pensava em ir à segunda fase e sabia que ia ser a minha última esperança de ainda poder entrar na faculdade. No dia que saíram os resultados, fui à escola para me inscrever para o próximo exame e ver a nota que tive no primeiro. A meu ver aquilo foi uma perfeita desgraça, pois fiz o exame a chorar, a tremer por todos os lados mas quando vi a nota… Tive 15,4. Fiquei radiante e senti que depois daquilo tudo, nada nem ninguém me podia impedir de conseguir aquilo que queria. E foi assim.
Com tudo contra mim, muitas vezes pensei que não ia conseguir, mas não desisti. Nunca devemos desistir daquilo que queremos. E foi assim que eu aprendi, foi assim a minha entrada no Ensino Superior.
Cláudia
Sempre estudei em escolas públicas, fui uma aluna dedicada. Terminei meu Ensino Primário e Secundário período normal. 4 anos depois comecei meu Ensino Superior fiz 3 anos de Licenciatura em História escolhi esse curso para ajudar com minha timidez e isso ajudou-me muito, mas não tinha ainda coragem de dar aula. Sempre tive o desejo de estudar em outro pais, resolvi fazer intercâmbio nos Estados Unidos, porém meu visto não deu certo. Resolvi vir para Europa em 2009 para fazer Desporto, não me adaptei muito ao clima passei apenas 15 dias em Coimbra e voltei ao Brasil, precisei de cuidar da minha saúde, anos depois tento novamente e venho no verão para me adaptar o clima. Estava conhecendo um rapaz brasileiro que morava em Portugal a muitos anos e ele ajudou-me bastante, pedi transferência e consegui ser aceita na Universidade e isso deixou-me muito feliz, pois estava abrindo uma nova porta para mim, um novo horizonte e uma nova vida.
Vera
Vera
A transição do ensino secundário para o ensino superior está
a ser uma verdadeira aventura. Inicialmente, não foi fácil adaptar-me pois não
conhecia ninguém e era tudo novo. Sou uma pessoa tímida e pouco comunicativa
quando não conheço as pessoas, por isso os primeiros dias de faculdade foram
bastante complicados para mim.
A
quantidade de trabalho que se exige no ensino superior é muito mais à do ensino
secundário, sendo
que senti desde logo a diferença. No ensino secundário era tudo diferente. As pessoas da minha turma moravam todas na zona da minha escola ou perto (assim como eu), eramos poucos, todos se conheciam, bastava estudar dois dias antes dos testes e eramos bastante unidos. Já no ensino superior, existe pessoas de toda a parte do país, somos imensos alunos sendo que nem todos se conhecem e o trabalho tem de ser diário. Outra novidade para mim foi estar numa turma, pelo menos nas práticas, só de raparigas. No inicio pensei que isso não seria muito positivo, pois muitas raparigas juntas podia correr mal, no entanto damo-nos todas bem e até gosto que assim seja.
que senti desde logo a diferença. No ensino secundário era tudo diferente. As pessoas da minha turma moravam todas na zona da minha escola ou perto (assim como eu), eramos poucos, todos se conheciam, bastava estudar dois dias antes dos testes e eramos bastante unidos. Já no ensino superior, existe pessoas de toda a parte do país, somos imensos alunos sendo que nem todos se conhecem e o trabalho tem de ser diário. Outra novidade para mim foi estar numa turma, pelo menos nas práticas, só de raparigas. No inicio pensei que isso não seria muito positivo, pois muitas raparigas juntas podia correr mal, no entanto damo-nos todas bem e até gosto que assim seja.
Contudo,
e que ainda exista muita gente contra, o que mais me cativou na faculdade, o
que tem eu amar a vida da universidade, é de facto a praxe! Eu só comecei a ir
à praxe no 2ºsemestre, pois tinha a ideia errada sobre o que realmente é a
praxe. Posso dizer que o meu primeiro semestre foi terrivel: não consegui adapar-me,
não tinha grande confiança com ninguém e a minha vida resumia-se a estudar e
treinar. Com uma semana na praxe isso mudou rapidamente. Conheci pessoas que
agora considero família, aprendi valores importantíssimos e, fundamentalmente,
vivi os melhores momentos da minha vida.
Em
suma, não foi fácil adaptar-me à mudança de ensino secundário para ensino
superior. No inicio até pensei em desistir porque estava realmente infeliz.
Porém, a praxe mudou isso, sendo que neste momento estou bastante satisfeita
com a minha vida académica.


Nenhum comentário:
Postar um comentário